01/04/2011

Teste que detecta dengue em minutos tem restrições, diz secretaria do RJ

Com a epidemia de dengue detectada em alguns municípios do Rio, cresce o receio da população e, com isso, a vontade de um diagnóstico rápido, já que o exame padrão demora até cinco dias para ficar pronto. O teste rápido da dengue, que detecta a doença em minutos, é feito com restrições na rede pública e alguns laboratórios particulares.

A Secretaria estadual de Saúde afirma que o motivo da cautela é a possibilidade de o exame, eficaz apenas nos primeiros cinco dias da doença, dar um resultado falso negativo. Já a rede D’or, que começou a oferecer o serviço na semana passada, diz que o problema é o número insuficiente de kits para a população.

Segundo o diretor da rede D’or, Arnaldo Prata, o teste rápido é realizado com restrição para cinco grupos de pacientes: idosos, gestantes, crianças com doenças crônicas, pacientes com deficiências imunológicas (como câncer) e pacientes que chegam ao hospital com quadro clínico grave de dengue.

“Neste momento estamos priorizando esse grupo porque não temos um número de kit suficiente pra fazer em toda a população que nos procura”, disse ele.

Já o superintendente de vigilância ambiental e epidemiológica da secretaria, Alexandre Chieppe, fez um alerta para que o exame só seja feito por gestantes, crianças abaixo de 5 anos, casos graves e pacientes que já tenham o diagnóstico clínico da dengue.

“Não é qualquer pessoa que faz o teste rápido. O diagnóstico continua sendo o clínico. Esse resultado pode dar falso negativo. É importante dizer que não pode ser feito aleatoriamente. Se ele for usado de forma irrestrita, ele vai atrapalhar mais do que ajudar”, explicou o superintendente.

A secretaria informou que foram comprados 20,5 mil kits para o teste, ao custo de R$ 41 cada unidade. Desse total, 13,7 mil já foram distribuídos aos municípios. De acordo com Chieppe, a secretaria deverá solicitar mais kits.

Laboratório não restringe teste
Um dos laboratórios particulares que fazem o teste rápido na capital do Rio é o Richet, que cobra R$ 116 pelo serviço e solicita um exame médico para que o exame seja feito.

“Já fizemos 500 testes desde o começo do ano, sendo a maioria deles o exame combinado, que junta o teste de antígeno (NS1, indicado para os primeiros dias da doença) com o de anticorpo (que acusa a dengue em pacientes com pelo menos 5 dias da doença). O número aumentou muito em fevereiro e, principalmente, em março”, disse o diretor do laboratório, Hélio Magarinos.

Fiocruz estuda produzir kit no Rio
A Bio-Manguinhos, órgão da Fiocruz, estuda a possibilidade de produzir o kit no Rio de Janeiro, com base em pesquisa realizada na Coreia do Sul.

A instituição informou, entretanto, que o contrato de transferência de tecnologia para produzir o teste para dengue é sigiloso e depende do aval do Ministério da Saúde. Em nota, a assessoria de comunicação da Bio-Manguinhos disse que ainda não está realizando testes.

10 municípios têm epidemia
Dez municípios do Rio de Janeiros estão com epidemia de dengue. A informação foi confirmada pela Secretaria estadual de Saúde. Na quarta-feira (30), o órgão anunciou que já foram registradas 23 mortes no estado.

Ainda segundo o estado, os municípios com as maiores taxas de incidência da doença são: Bom Jesus de Itabapoana (3.343,3 casos/ 100 mil habitantes), Santo Antonio de Pádua (1.422,3 casos/100 mil habitantes), Cantagalo (1.351,8 casos/100 mil habitantes), Mangaratiba (740,8 casos/100 mil habitantes), Cordeiro (686,2 casos/100 mil habitantes), Guapimirim (670,1 casos/100 mil habitantes), Seropédica (666,4 casos/100 mil habitantes), Magé (615,8 casos/100 mil habitantes), Silva Jardim (603,9) e Cabo Frio (602,5 casos/100 mil habitantes).

23 mortes
As mortes pela doença no estado aconteceram nas seguintes cidades: Nova Iguaçu (3), Duque de Caxias (2), Magé (1), Cabo Frio (1), São Gonçalo (3), Maricá (1), Mesquita (1), Rio de Janeiro (7), São João do Meriti (3) e São José do Vale do Rio Preto (1). De 2 de janeiro a 26 de março foram notificados 31.412 casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro.

Na capital, nos três primeiros meses do ano, o número de casos já é maior do que o total dos anos de 2010 e 2009 somados. A prefeitura afirmou, através de nota, que há tendência de redução de notificações da doença e que, por isso, “não está mais configurada nenhuma região com característica de alertas para surto da doença”.

Fonte: G1

Última atualização: 01/04/2011

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