Residências abrigam 80% das larvas do Aedes
Cerca de 80% das larvas do Aedes Aegypti, em Belém, estão dentro das residências. É o que garante o coordenador do controle de endemias da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), Marcelo Ribeiro. Ontem, durante fiscalização feita pelos agentes de saúde em seis bairros da cidade, pelo menos 35 focos de dengue foram encontrados. “Geralmente essa tem sido a média de focos que encontramos diariamente. Com esse período de chuvas, os focos têm aumentado bastante”, ressaltou o coordenador.
Por dia, os agentes têm visitado cerca de 16 residências em cada bairro da cidade. A partir de segunda-feira, mais de 3 mil agentes de saúde, da Vigilância Sanitária do município e de todos os órgãos de saúde pública sairão às ruas dos bairros da capital. “A população tem nos recebido bem. Antes, as pessoas não acreditavam que o nosso trabalho daria certo e tinham certa resistência”.
Moradora do bairro da Cremação, a dona de casa Mariela Soares, disse que não gostou da primeira vez que um agente foi visitar-lhe a casa. “Achei que não fosse dar nenhum resultado, mas eles colocaram um líquido nas minhas plantas que fizeram os mosquitos desaparecerem”, contou. O líquido que ela se refere é o difobsuron, usado para eliminar o mosquito. “Colocamos quando encontramos o criadouro e dois meses depois, fazemos uma segunda visita para colocar o líquido de novo”, explicou Ribeiro.
Enquanto a visita em residências tem acontecido diariamente, moradores de prédios de Belém denunciam que a fiscalização dos agentes de vigilância não tem sido eficaz nos edifícios. “Moro no 15° a andar e os agentes não vieram no meu apartamento porque disseram que o mosquito só pode voar até o 3°andar”, disse um morador que não quis se identificar.
Ele mora em um bairro nobre da cidade e está preocupado porque, da janela do seu apartamento, dá para avistar vários terrenos vizinhos abandonados com dezenas de focos de dengue. “Tem uma casa que já está fechada há vários anos e ninguém faz nada. O mato já está tomando conta do lugar”.
Da sacada do seu quarto, o morador mostrou para a reportagem a cobertura de outro prédio, onde uma piscina virou um verdadeiro depósito de lixo. “A gente denuncia, liga para Sesma, para a Prefeitura e nunca eles fazem nada. Pelo menos aqui pra gente, essa operação da prefeitura para evitar a dengue não está funcionando, é só fachada”, finalizou.
O coordenador de endemias admitiu que até o ano passado, a orientação dada aos agentes era para fiscalizar até o 3° andar dos prédios, porque o mosquito Aedes aegypti só consegue voar até três metros de altura.
Porém, segundo ele, a partir de agora a ordem é percorrer todos os andares dos apartamentos. “Encontramos foco no 16° andar de um prédio, isso não quer dizer que o mosquito voou até lá, o que acontece é que ele entra no elevador, ou então entra de carona na roupa de alguém e acaba se instalando nos apartamentos”, ressaltou.
Sobre as residências abandonadas ele disse que os agentes ainda não têm autonomia para entrar. “As casas abandonadas já foram notificadas e eles terão um prazo de 15 dias para se comunicarem com a Secretaria, se isso não acontecer, iremos contratar chaveiros para arrombar”, concluiu.
Quem encontrar algum tipo de criadouro pode ligar para o disque-dengue (3274-1691) e solicitar a visita dos agentes.
Fonte: Diário do Pará

