16/05/2015

Pesquisadores buscam voluntários para testar vacina contra a dengue

Uma única dose deve proteger contra os quatro tipos da doença.Para concluir os estudos, cientistas precisam de 80 voluntários.

O Instituto Butantan está desenvolvendo uma vacina contra a dengue. A expectativa é proteger contra os quatro tipos de vírus com uma única dose. Se tudo der certo, a ela estará disponível daqui a três anos nos postos de saúde.

Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo precisam de voluntários que já tiveram a doença, mas estão com dificuldade para encontrar essas pessoas. “Terem 60 anos incompletos e estar com boa saúde. Homem, mulher, qualquer tipo de profissão e de preferência que não tenha planos de se mudar de São Paulo em um prazo muito curto”, explica Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP e médico responsável pelos testes clínicos.

Celso Oliveira Tavares é voluntário e diz que se candidatou porque viu o sofrimento da mulher e da irmã, que também já tiveram a doença. “Cada dia aumenta os casos, o números de pessoas que vêm a falecer. Vai ser algo banca saber que eu participei lá no início, fui um dos voluntários, que acompanhei tudo certinho”.

A vacina começou a ser desenvolvida em 2013 pelo Instituto Butantan. Até agora, 220 voluntários foram vacinados. Ainda faltam 80 para encerrar a segunda fase da pesquisa. Nesse estágio os pesquisadores querem saber se a vacina não gera nenhum efeito colateral e, principalmente, se produz anticorpos.

Só na próxima fase, a terceira, que ainda precisa ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é que será testada a eficácia da vacina.

A vacina funciona assim: o vírus da dengue é enfraquecido no laboratório para não provocar a doença em quem vai ser vacinado, mas é capaz de produzir anticorpos contra ele. Assim, a vacina estimula o corpo a reagir contra a doença e, quando o paciente tiver contato com o vírus de verdade, já vai estar preparado para enfrentá-lo.

Segundo o médico responsável pelos testes, Esper Kallas, quem toma a vacina pode sentir um pouquinho de dor no local da aplicação. Para ele, algo muito pequeno diante do que essa vacina pode significar em um futuro próximo. “Todo mundo que faz ciência tem que ser otimista. Eu tenho a impressão que os resultados preliminares que tivemos até agora, inclusive publicados com essa vacina, foram muito encorajadores. Acho que a gente está no caminho certo. Então é muito importante para a gente contar com a ajuda que nos procuram”.

A terceira fase de testes clínicos da vacina contra a dengue será ampliada pra várias regiões do país. Dezessete mil voluntários deverão ser vacinados.

Fonte: Jornal Hoje

Última atualização: 16/05/2015

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