02/12/2011

Período chuvoso exige cuidados para evitar doenças como leptospirose e dengue

O verão se aproxima e com ele vem as chuvas, que podem trazer doenças como a leptospirose e a dengue. Em Minas Gerais, os maiores números de casos de leptospirose ocorrem em dezembro e janeiro. Causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de ratos e transmitida ao homem através do contato com a pele, a leptospirose provocou a morte de 12 pessoas no ano passado, quatro delas em janeiro.

De acordo com o médico infectologista da Superintendência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Frederico Figueiredo, a melhor forma de se prevenir contra a doença é evitar o contato com águas de inundação, lama e outros resíduos que ficam nas casas depois de enchentes ou inundações. “Quando for inevitável entrar em contato com essa água, é importante usar luvas e botas. Se a pessoa não tiver, é possível improvisar com sacos plásticos, colocando dois sacos nas mãos e dois nos pés”, completa.

A leptospirose apresenta sintomas semelhantes aos da gripe e da dengue, ou seja, é comum os pacientes apresentarem febre, dor de cabeça e dores pelo corpo (principalmente na panturrilha). Também podem aparecer sintomas como vômitos, diarreia e tosse.

Para evitar consequências graves, é fundamental procurar atendimento especializado. “Aos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar o Centro de Saúde. Tanto a leptospirose, quanto a dengue têm sintomas iniciais muito parecidos, porém o tratamento é diferente para cada caso. Enquanto a dengue é tratada basicamente com hidratação, para a leptospirose é fundamental  que haja a introdução do antibiótico de forma rápida. É essa agilidade que vai fazer, muitas vezes, diminuir a letalidade dessas doenças”, alerta Frederico.

A Leptospira penetra na pele através de pequenos ferimentos e até mesmo pela pele, se houver um contato prolongado com a água e com a lama. “Sempre que houver alguma lesão na pele, é importante lavar bem o ferimento com água e sabão e procurar assistência médica para que seja feita uma avaliação do caso. Pode ser que seja necessário tomar vacinas ou fazer algum procedimento específico para aquele tipo de ferimento, como uma sutura, por exemplo”, completa o médico.

Os ferimentos presentes na pele, além de facilitar a infecção pela Leptospira, ainda podem ser fonte de entrada para a bactéria Clostridium tetani, causadora do tétano. Ela está presente nas fezes humanas e de animais, na terra, nas plantas e até em objetos, podendo infectar pessoas de qualquer idade.

Limpeza do ambiente

Caso haja inundações é necessário fazer uma limpeza minuciosa do ambiente atingido pela água e lama. A água sanitária é indicada para a limpeza dos reservatórios de água e dos locais que podem ter sido contaminados. O Ministério da Saúde orienta o uso de um litro de água sanitária para mil litros de água.

“A água sanitária é um produto perigoso, deve ser mantido longe das crianças e pode causar queimaduras sérias, por isso a diluição deve ser feita de forma criteriosa. O Centro de Saúde possui manuais que orientam a diluição para limpeza de paredes e chão das casas e durante a limpeza, é necessário usar luvas e botas para proteção”, alerta o infectologista.

Animais peçonhentos

Nesse período também é comum ocorrerem acidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões. De acordo com a Superintendência de Epidemiologia, os casos mais frequentes são com a cascavel e a jararaca. “Quando acontece um acidente desses, o primeiro passo é manter a calma. O segundo, procurar assistência médica especializada”, orienta Frederico Figueiredo.

Esse atendimento especializado é oferecido pelo Centro de Informações Toxicológicas do Hospital João XXIII, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), inclusive por telefone. Pelo número (31) 3224-4000, qualquer cidadão pode obter orientações sobre o que fazer num momento de urgência.

Veiculação hídrica

Além da leptospirose, as pessoas que têm contato com a água da chuva podem desenvolver outras doenças. A febre tifoide, a hepatite vital tipo A e a diarreia aguda são as mais comuns, segundo o Ministério da Saúde.

Em Minas, os números de notificações de febre tifoide e de hepatite A em 2011 já superam os de 2010. Enquanto a febre tifóide atingiu três pessoas no ano passado, nesse, já foram cinco. Os números da hepatite A são mais elevados, tendo chegado a 329 notificações, até outubro de 2011, contra 330 no ano passado.

Tanto a febre tifóide quanto a hepatite A são transmitidas pela ingestão de água ou alimentos contaminados, sendo comuns em regiões com saneamento básico precário.

Caracterizada como doença infecciosa grave, a febre tifoide é causada pela bactéria Salmonella typhi. Seus sintomas são febre alta, diarreia, manchas rosadas no tronco do corpo, tosse seca e falta de apetite. Além disso, há o aumento das vísceras e confusão mental, podendo levar à morte.

A Hepatite A, por sua vez, é causada por um vírus, o VHA, que provoca a inflamação do fígado. É considerada uma doença de curso benigno, embora seja potencialmente grave. Com sintomas iniciais variáveis (mal estar generalizado, dor no abdômen, cansaço, dor de cabeça, febre e icterícia), a hepatite pode se apresentar de forma assintomática, sendo diagnosticada apenas por exames de sangue rotineiros.

Fonte: De fato online

Última atualização: 30/11/2011

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