28/03/2011

Número de casos de dengue no município do Rio passa de 10 mil

O número de casos de dengue no município do Rio já passou de 10 mil. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, o número está em 10.158. Conforme O DIA mostrou esta semana, em três dias duas pessoas morreram com dengue após diagnósticos tardios — homem de 78 anos e bebê de 1 ano e 9 meses.

Ontem, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, admitiu que os dois casos de Niterói podem não ser os únicos de dengue 4 do estado. A identificação do sorotipo em circulação é feita por amostragem e, por isso, é possível que haja outras pessoas com este dengue 4 no Rio. De acordo com pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, o vírus isolado nas pacientes de Niterói é semelhante aos da América do Sul e da Bahia. Ou seja, o mesmo vírus está se espalhando pelo Brasil.

“É possível que o vírus tenha chegado ao estado antes, porque está circulando desde o ano passado no País. Outras pessoas devem ser infectadas. É fundamental que haja vigilância e que as pessoas procurem médico se sentirem sintomas. A dengue não está escrita na testa de quem tem, é difícil diferenciar doenças. Mas o diagnóstico independe do sorotipo”, explica Rita Nogueira, virologista especialista em dengue.

PREFEITO ADMITE RISCO

Eduardo Paes, prefeito do Rio, mostrou preocupação com a presença do vírus 4 e não descartou a possibilidade de uma epidemia. “Precisamos trabalhar muito este ano para evitar que no ano que vem se tenha uma epidemia. Isso depende da prefeitura e da população. Temos muito o que fazer. O que se aponta, infelizmente, é que o ano que vem deve ser de maiores complicações. Havendo epidemia agora ou no ano que vem, vamos disponibilizar toda a estrutura para a população”.

O novo vírus provoca os mesmos sintomas dos demais tipos de dengue, mas oferece perigo porque é novo e, portanto, ninguém está imune. Além disso, aumenta o risco de uma pessoa que já teve dengue provocada por outro tipo ter novamente a doença. “A infecção repetida por dengue leva a casos graves”, explica Côrtes.

Diagnóstico confuso em Niterói

Os dois primeiros casos de dengue tipo 4 chegaram a ser confundidos com virose e infecção urinária. Segundo o dentista Luiz Graça, pai de Bárbara Abreu, 21, e Caroline Graça, 22, as jovens tiveram o diagnóstico de dengue na segunda-feira de Carnaval no Hospital Santa Marta.

“Mas quando voltamos na quarta-feira para refazer exames, a médica disse que elas não tinham dengue. Felizmente, tenho médicos de confiança na família e não perdi tempo. Os médicos estão despreparados. É um absurdo que pode custar uma vida” diz. Carolina precisou ser internada por 3 dias. Bárbara, não: “Tive muita dor de cabeça e abdominal. Não imaginava que fosse ter um tipo novo de dengue”.

Agentes da prefeitura encontraram focos de mosquito perto da casa das jovens, no Cafubá, e numa bromélia do quintal da família. Muitos vizinhos estão com dengue e se preocupam com piscina abandonada num imóvel desocupado.

Criança morre sem socorro

A falta de hospitais em Bom Jesus do Itabapoana — um dos 7 municípios do estado com epidemia da doença — pode ter causado a morte de Kauã Benedito, 6 anos. Ele faleceu de dengue hemorrágica após dar entrada no único grande hospital da cidade, o São Vicente de São Paula. A unidade, filantrópica, deve deixar de funcionar no sábado, por falta de verbas. Sem condições de tratá-lo, o transferiu para Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, a 120 km.

De acordo com o tio do menino, Ângelo Benedito, a família chegou a tentar vagas em outros hospitais de cidades vizinhas. “Buscamos leitos em Itaperuna e Campos, mas não tinha. Conseguimos em Cachoeiro”, disse.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que, durante a epidemia, repassará recursos para a Prefeitura de Bom Jesus, para reforçar o plantão médico nos pólos de atendimento a pacientes com dengue.

Fonte: O Dia

Última atualização: 28/03/2011

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