19/09/2011

Laudo de morte por dengue demora oito meses

Os exames de confirmação do óbito só podem ser realizados no Instituto Evandro Chagas, em Belém

Uma demora de oito meses. Esse foi o tempo que a estudante Vanise Alves da Silva levou para conseguir o laudo de confirmação de óbito por dengue do sobrinho dela, de seis anos. Caique Alves da Silva deu entrada no Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), no dia 28 de janeiro deste ano e morreu dois dias depois.

Na unidade de saúde, o menino recebeu a prescrição dos medicamentos loratadina, ibuprofeno (anti-inflamatório) e paracetamol, mesmo sem a confirmação de dengue. Porém a própria Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) recomenda a necessidade de avaliação quando do uso de anti-inflamatórios hormonais quando há suspeita de dengue.

A tia conta que o Serviço de Verificação de Óbito do Estado (SVO) deu um prazo de um mês para a divulgação do resultado. “Depois eles disseram que seriam três meses. Então resolvi ligar insistentemente para o Instituto para saber quando o exame seria entregue”.

Dúvidas

Vanise diz que, já cansada de esperar, o jeito foi ir ao local, na última quinta-feira. Ao chegar lá procurou a médica Emília Tomé que explicou que o exame estava com ela, mas ainda ia avaliar os dados. A explicação para demora dada pela médica é que os exames são enviados para outro Estado. Ela revela que os parentes queriam saber a causa da morte do garoto.

Muitas famílias solicitam o laudo para confirmarem a causa do óbito para alertar a vizinhança da provável existência de um foco na localidade ou até para abrir um processo judicial em caso de erro na administração de medicamentos inadequados na unidade de atendimento.

Segundo a assessoria de imprensa da Sesa, os exames de comprovação da doença são feitos no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), mas a confirmação da morte só pode ser realizada com laudo emitido pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará. Esse é o laboratório referendado pelo Ministério da Saúde para fornecer a causa do óbito nos casos de diagnóstico desconhecido, nas regiões Norte e Nordeste. O procedimento é feito com a retirada das vísceras, com a autorização da família, que são enviadas, junto com amostra do sangue, para Belém.

O problema é que em período de epidemia de dengue em todo o Brasil a demanda de exames para o Instituto Evandro Chagas é muito elevada. Este ano, os meses de janeiro, fevereiro, março e abril foram os mais críticos, justamente quando houve muitos pedidos de diagnóstico de morte enviados para Belém, de todo o Nordeste e do Norte.

Contudo, segundo a assessoria de imprensa da Sesa, eles não dão prazo para a entrego do laudo. O órgão informa que a demora é porque o laudo não vai mais servir para salvar vidas.

Atualmente, existem sete óbitos em investigação no Ceará e dois em Fortaleza.

A reportagem tentou falar com o Instituto, não ninguém atendeu as ligações.

Fonte: Diário do Nordeste

Última atualização: 19/09/2011

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