09/09/2011

Fortaleza registra 110 casos de dengue por dia

Não se pode baixar a guarda contra o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Em Fortaleza, o número de casos da doença aumentou mais de dez vezes em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), de janeiro ao dia 2 de setembro de 2011, a doença vitimou quase 27 mil pessoas na Capital, contra 24 mil nos oito primeiros meses de 2010. Um diferença que chega a mais de 1.000%. São pouco mais de 110 casos confirmados da doença por dia.

Além disso, a dengue levou a óbito 24 doentes. Isso aponta para um dado alarmante: em média, foram três mortes por mês na Capital.

No restante do Estado, a situação também é preocupante. Em 245 dias desse ano, a dengue atingiu 46 mil cearenses. Uma média de 188 casos diários. A cada mês de 2011, no período de janeiro a agosto, quase sete pessoas morreram devido à doença no Estado, somando 55 óbitos em oito meses.

Os dados assustam e colocam em alerta as autoridades sanitárias do Ceará. Os casos confirmados da dengue esse ano superam os registrados em 2008, quando enfrentamos uma epidemia da doença, com 44.244 ocorrências laboratorialmente constatadas. Já é o segundo índice mais alto dos últimos 25 anos. Só perde para 1994, com 47.789 pessoas vitimadas.

A Capital lidera os dados. Desde 2008, os casos não passavam de 5,5 mil em 12 meses. Em 2009, foram 4.208 e, em 2010, 5.433. Messejana registra o maior número de casos confirmados até o momento, com 1.396 ocorrências. Em seguida, São João de Tauape, com 812; Mondubim, com 775; Bom Jardim, com 715 registros e Aerolândia, com 700 vítimas.

Controle

A falta de ações mais efetivas por parte do poder público é apontada por infectologistas como sendo a principal causa desse avanço do mosquito.

Um dos responsáveis pelo combate à dengue da Sesa, o médico Luciano Pamplona, frisa que não existe ainda meios de controle do mosquito e, consequentemente, da doença no mundo. Somente, uma vacina, ainda em estágio inicial de pesquisa, poderá reverter a situação. Por enquanto, as ações são para prevenir a dengue e, se infectada e doente, evitar mortes. “95% dos focos do mosquito estão dentro de imóveis”, destaca Pamplona.

O médico garante que o Estado vem cumprindo a sua parte nas ações contra o mosquito e no atendimento às vítimas. “A prevenção ao mosquito transmissor é a principal arma contra a doença, já que ainda não existe vacina. E se a pessoa ficar doente, o tratamento deve ser iniciado rapidamente, assim que detectados os primeiros sintomas para evitar complicações e óbitos”, explica.

O Aedes aegypti se reproduz em qualquer lugar que houver condições propícias (água parada limpa ou pouco poluída). “A conscientização da população e a tomada de medidas são de fundamental importância para a redução”, aponta o infectologista Anastácio Queiroz.

A médica Juliana Ferraz lamenta a situação. “Só temos a dizer que esse problema é antigo. Ele voltou a incomodar e assustar a população brasileira, e não temos como esconder que esse avanço revela mais uma vez a miséria da realidade da saúde pública nacional”, diz.

De acordo com ela, o quadro nos hospitais, com a falta de médicos especialistas, material e equipamentos, sobretudo no Interior do Estado, de onde os profissionais de saúde têm fugido por falta de condições, é apenas a ponta do iceberg.

Dificuldades

Os infectologistas explicam que a principal razão pela dificuldade uma vacina é a existência de quatro vírus diferentes, os tipos 1, 2, 3 e 4, o que dificulta o trabalho. Não adianta disponibilizar uma vacina para apenas o tipo um da doença, por exemplo. Isso porque, se a pessoa vacinada contraísse um outro tipo do vírus, poderia ter um quadro ainda mais severo, como acontece nas infecções subsequentes. Assim, a vacina deve imunizar o organismo contra os quatro tipos de uma só vez – e aí está o grande desafio.

No Brasil, as principais instituições que trabalham no desenvolvimento da vacina são o Instituto Butantã, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, e a Fundação Oswaldo Cruz.

Alerta

55 pessoas morreram neste ano no Ceará. Os casos confirmados da dengue em 2011 batem os registrados em 2008, quando houve uma epidemia

FIQUE POR DENTRO
Mosquito

O Aedes aegypti desapareceu no Brasil na década de 1950, depois de um extenso trabalho comandado pela Organização Pan-americana de Saúde. Mas essa realidade não foi mantida, e o mosquito voltou a se desenvolver no País. Hoje, considera-se praticamente impossível erradicá-lo, levando em conta o elevado crescimento da população, a ocupação desordenada das áreas urbanas, onde o mosquito se desenvolve, e a falta de infraestrutura dos grandes centros. O inseto mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. O indivíduo não percebe a picada. É fundamental para o combate à dengue que as comunidades sejam conscientizadas e o trabalho das equipes na erradicação dos criadouros, intensificados.

Fonte: Diário do Nordeste

Última atualização: 09/09/2011

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