27/06/2011

Dengue pode ter vacina até 2015, garante laboratório francês

Uma nova vacina pode evitar os casos de dengue, doença tropical responsável por mais de 20 mil mortes todos os anos. Dois grandes laboratórios farmacêuticos estão na corrida para desenvolver o que poderá ser a solução contra o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

São positivos os primeiros resultados obtidos pelo grupo francês Sanofi Pasteur. “É a primeira vez que se chega a essa etapa clínica”, garante o porta-voz do laboratório, Benoit Rungeard. “A pesquisa para uma vacina começou há mais de 60 anos e há 20 anos que nós trabalhamos nisso”.

Testes vem sendo realizados com crianças e adolescentes desde o segundo semestre de 2010 no estado do Espírito Santo e devem durar três anos. A região brasileira foi selecionada pelo índice de doentes. De acordo com informações do laboratório, os participantes são voluntários e sabem que participam dos testes. São comparados os resultados de grupos que receberam e grupos que não receberam a vacina. Esses ensaios clínicos são autorizados pelo Ministério da Saúde e acompanhados por equipes médicas locais.

As primeiras aplicações da substância começaram a ser realizadas em 2009, em Bangcoc, na Tailândia, com quatro mil crianças. O controle de eficácia inclui experimentações ainda em outros 15 países, nas zonas mais atingidas da Ásia e América Latina.

A última etapa deve durar até 2013 e a comercialização deve acontecer apenas em 2015. “Para nós que trabalhamos em um país tropical, cuja incidência da doença é elevadíssima como no Brasil, a grande solução para o controle da dengue somente será  com a chegada da vacina”, defende Roberto Medronho, diretor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estado mais atingido pela doença.

Os riscos e a eficácia da vacina na prevenção dos cerca de 220 milhões de novos casos anuais da dengue no mundo ainda não são conhecidos. Será preciso esperar os resultados definitivos dos primeiros testes.

Riscos

“A vacina, como todo imuno-biológico, nunca é desprovida de efeitos adversos, entretanto para colocar uma vacina no mercado existem duas coisas fundamentalmente: que ela seja eficaz e tenha o máximo de segurança. Depois precisamos vigiar se ocorrerá algum efeito adverso em larga escala na população após a vacinação”, afirma o pesquisador.

Antes de ser testada em seres humanos, a vacina passou por teste em animais. Essa é a segunda geração da substância, pois na primeira não houve resposta satisfatória. “O problema era que ela precisava ser mais tolerada em crianças e que protegesse contra os quatro tipos de vírus da dengue, essa é a dificuldade cientifica”, revela Rungeard.

Ausência de tratamento

Atualmente não há tratamento eficaz contra o vírus. “Trata-se a febre ou as dores, caso existam. Na verdade, a chave do tratamento da dengue é a boa hidratação. No paciente não necessitando de internação é a hidratação oral e no paciente mais grave, hidratação venosa. Não há um ante viral, o tratamento é com analgésicos ou antitérmicos”, explica.

Para Medronho, os programas de prevenção não têm conseguido diminuir os casos da doença. “Infelizmente nos perdemos a batalha contra o mosquito”, diz. A população de 124 países está exposta a dengue que atinge principalmente crianças.

No entanto, se a vacina será lançada apenas em 2015, o que fazer até lá? “É preciso melhorar o saneamento básico, e programas mais eficientes de controle do vetor”, responde Medronho.

Impacto econômico

O laboratório francês anunciou há dois anos, o investimento de 350 milhões de euros para a produção de 100 milhões de doses anuais da vacina. Ainda não há encomendas, mas Sanofi Pasteur mantém informado do desenvolvimento do produto determinados países, seus compradores potenciais.

Para o especialista, o Brasil tem interesse e condições de adquirir a vacina e torná-la acessível a população, já que os custos seriam menos elevados do que os programas de prevenção e as despesas com tratamentos e internações.

Um artigo publicado no The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, estima que a dengue nas Américas representa um custo de 2,7 bilhões de dólares anuais. As epidemias de dengue causam impacto direto no turismo. Cerca de 120 milhões deles estão expostos a doença todos os anos, em zonas tropicais. Uma preocupação a mais na hora da organização de grandes eventos internacionais, como os que estão presvistos no Brasil em 2014 e 2016.

Fonte:Opera Mundi

Última atualização: 27/06/2011

Textos relacionados:

Combate à Dengue nas Redes Sociais

Deixe sua mensagem

(obrigatório)

(obrigatório)

Mensagem