11/04/2011

Dengue já matou 22 pessoas no Ceará

A partir de hoje, ações do fumacê devem chegar a quatro cidades do interior no intuito de diminuir a transmissão

Sobe para 22 o número de mortes por dengue no Ceará. O aumento é em decorrência dos óbitos confirmados nas cidades de Morada Nova e Caucaia. Ambas as vítimas eram do sexo feminino, possuiam 14 e 69 anos respectivamente, e faleceram em março. O caso de Morada Nova foi o primeiro, até o momento, constatado com DENV 4.

Com relação ao número de confirmações da doença, até ontem, o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), indicava uma variação de 20,9%. Ou seja, hoje o Estado possui 10.052 pessoas infectadas pelo Aedes aegypti, enquanto que na última sexta-feira, dia 1, esse quantitativo correspondia a 8.308.

Já a situação da Capital acompanha o ritmo do Estado, isso porque, com uma variação de 21,4% no número de doentes, sobe para 2.920 os casos confirmados. Há uma semana esse valor era de 2.405.

No interior a transmissão da doença continua bastante significativa, das 1.744 novas confirmações dessa semana, 1.229 são de lá. A cidade de Itapipoca é a que detém o maior números de casos, com 794. Porém a região norte foi a que teve os maiores registros, 132 a mais.

Desta região, apesar de não haver nenhum óbito, como também nenhum caso grave, as cidades de Varjota, Santa Quitéria, Massapê, Catunda e Coreau são as que mais preocupam.

Isso porque, a incidência está acima do permitido, ou seja, acima de 300 casos por cem mil habitantes. Para se ter uma ideia, a cidade de Varjota registra uma incidência de 1056,18.

Com relação ao aumento gradual dos casos e dos óbitos no Estado, o coordenador de Promoção e Proteção a Saúde da Sesa, Manoel Fonseca, informou que medidas estão sendo tomadas e que o foco agora é na assistência médica.”Todas as cidades estão com estoque de soro oral para três meses, e caso necessitem, temos mais 300 mil de reserva”. Além disso, Fonseca informou que hoje, os carros de Ultra Baixo Volume (UBV), mais conhecidos como Fumacê, devem fazer borrifação nas cidades de Quixadá, Orós, Boa Viagem e Canindé.

A ação de combate a transmissão na Capital deve iniciar em todos os bairros na próxima segunda-feira, 11.

ENFRENTAMENTO
Secretário reclama da falta de recursos

“Não é só o Ceará que vive a epidemia da dengue. Não podemos dizer que estamos na contramão do combate à doença, porque essa vem se firmando em quase todas as Capitais. A afirmação é do titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Alex Mont´Alverne, ontem, na reunião com os proprietários dos chamados pontos estratégicos, locais propícios ao aparecimento de focos do mosquito da dengue, como sucatas, borracharias, oficinas, depósitos de reciclagem e cemitérios.

Na ocasião, ele criticou a falta de mais investimentos por parte da União e do Estado, e explicou que apenas 40% dos recursos gastos com o combate à dengue em Fortaleza vêm sendo repassados pela União.

A reunião, realizada no auditório da Policlínica Nascente, localizada no Itaperi, objetivou envolver os donos dos estabelecimentos no combate à dengue e conscientizá-los quanto à necessidade de eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti. Mont´Alverne comandou as atividades, que reuniu mais de 700 proprietários, correspondentes a cinco Secretarias Executivas Regionais (SERs).

O secretário defendeu que as indústrias e grandes centros comerciais formem brigadas para monitoramento de focos, a exemplo do que acontece com as de incêndio. Informou que a iniciativa é um esforço de envolver mais a comunidade nas ações preventivas, a exemplo do apelo de que a cada semana as pessoas dediquem sete minutos para monitorar possíveis pontos de foco da doença, como os quintais, vasilhas e locais onde pode armazenar água.

Essa mobilização, segundo Mont´Alverne, foi inspirada no modelo de Singapura, e visa dividir responsabilidades na prevenção da dengue, entre a população e o gestor público.

Segundo o titular da SMS, o surgimento do DENV 4 é o principal responsável por destacar o Estado nacionalmente pelo grande número de casos da dengue clássica.

“Não é uma questão de se saber quem está pior. A dengue se disseminou nas principais capitais, e cabe a nós fazermos nossa parte”, disse.

O secretário lembrou que a falta de colaboração da comunidade é um desafio sério no enfrentamento da epidemia. “Não podemos aceitar que as pessoas joguem lixo em qualquer lugar. Além disso, há 112 mil caixas d´água sem vedação”.

Fonte: Diário do Nordeste

Última atualização: 11/04/2011

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