23/03/2011

Dengue faz mais uma vítima no Rio de Janeiro

Mais uma vítima da dengue morreu no Rio de Janeiro na segunda-feira (21). Uma menina de 1 ano e dez meses, que morava em Santa Cruz, na zona oeste da cidade, contraiu a doença e estava internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica do hospital particular Cemeru, em Santa Cruz. Segundo a unidade, ela teve dengue hemorrágica.

De acordo com a família da criança, o diagnóstico inicial de Maria Clara Silva Martins foi dor de garganta e, por isso, a família acredita em erro médico.

Os familiares informaram que a menina começou a passar mal na sexta-feira (18) e foi levada para o hospital. Ela foi medicada e liberada em seguida. No sábado (19), Maria Clara, ainda com febre e dor no corpo, retornou à unidade. O médico de plantão manteve a medicação e a liberou novamente. Apenas no domingo (20), quando a paciente voltou pela terceira vez ao hospital, os médicos pediram um exame de sangue.

De acordo com a família, Maria Clara chegou a vomitar sangue na sala de raio-X da unidade. Após o resultado dos exames, os médicos constataram dengue hemorrágica.

Ainda segundo familiares, a unidade não permitiu a internação da menina, alegando que o plano de saúde não cobria o serviço. A família está sendo cobrada em R$ 5 mil pela internação e a unidade também cobra os exames.

O hospital nega que tenha havido erro médico e informou, por meio de nota, que, em relação aos custos financeiros, “a paciente tinha um plano de saúde ambulatorial sem direito a internação. Mesmo consciente da dificuldade de remuneração por parte dos familiares, a instituição em momento algum criou qualquer tipo de dificuldade, colocando à disposição da paciente todos os recursos possíveis para reverter o quadro, o qual não foi possível obter êxito”.

Quanto ao relato da família, de acordo com a nota divulgada pelo hospital, “a cobrança do exame de sangue é feita porque o serviço é terceirizado e se reporta diretamente ao cliente ou familiares para cobrança dos seus honorários, o qual não impediu que o sangue necessário fosse transfundido mesmo sem cumprimento das obrigações financeiras por parte da família”.

O corpo de Maria Clara foi enterrado na terça-feira (22) no cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, zona oeste.

Em três meses, Rio tem mais casos de dengue do que o total de 2009 e 2010 juntos

Em apenas três meses, a cidade do Rio de Janeiro teve 8.315 casos de dengue, mais que o total dos anos de 2009 e 2010 juntos (5.843), segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, divulgados nesta terça-feira (22).

O alerta da dengue já chegou à zona sul do Rio de Janeiro. O bairro Cosme Velho, onde vivem cerca de 7.300 pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresenta proporção de 314 casos por cada 100 mil habitantes. A taxa acima de 300 já é indício de surto. Porém, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a evolução de estado de alerta para surto é avaliada de acordo com os números de casos da doença nas últimas cinco semanas. O bairro apresentou uma queda neste índice, de 15 notificações em fevereiro para oito em março. Por isso, segundo a secretaria, não dá para afirmar que há surto de dengue no Cosme Velho.

Apesar da redução no número de contaminados, o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense), Ralph Ferreira, reforça os cuidados que a população precisa ter ao diagnosticar a doença.

- Antes de mais nada, é preciso evitar a proliferação do mosquito. Quando aparecer algum sintoma, como febre, dor de cabeça, dor muscular, dor abdominal e diarreia, é necessário procurar um médico imediatamente. O repouso e a hidratação são fundamentais. É necessário evitar alguns remédios como a novalgina, por exemplo, para não piorar o quadro.

Zona norte concentra surtos

A situação é considerada grave em Cocotá, na Ilha do Governador, em Bonsucesso, em Acari, no Rio Comprido,  e no Catumbi, bairros da zona norte da cidade.

Outra região que apresenta surto de dengue é a zona oeste. Pedra de Guaratiba tem 140 casos da doença (o índice de contaminação é de 1.187 por cada 100 mil habitantes); em Barra de Guaratiba há 41 notificações (o índice de contaminação é de 908 por cada 100 mil habitantes); e em Anil foram registrados 130 casos (o índice de contaminação é de 538 por cada 100 mil habitantes).

A região central da cidade também está na mira do mosquito Aedes aegypti. O bairro Saúde registrou, desde o início do ano, 15 casos de dengue. O Centro apresenta o maior número de pessoas contaminadas: foram registradas 177 ocorrências desde janeiro. O Santo Cristo apresenta 34 casos.

Mãe de bebê de quatro meses que morreu por suspeita de dengue culpa demora de hospital

O bebê de apenas quatro meses que morreu na noite de sábado (19) no hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, na zona norte do Rio, com suspeita de dengue hemorrágica demorou quatro dias para ser internado, mesmo já apresentando sintomas fortes da doença, denuncia a mãe da criança.

Segundo Bianca Piqué, ela levou a filha até o Quinta D’Or na terça-feira (15) e os médicos disseram que era necessário aguardar 48 horas para diagnosticar os sintomas da dengue.

- Na terça-feira, a minha filha apresentou manchas pelo rosto e tórax, e febre. Resolvi levá-la no final da tarde até a unidade. Quando cheguei lá, os médicos falaram que eu precisava esperar 48 horas para que a doença fosse diagnosticada. Eles disseram que, a princípio, era apenas uma virose e me mandaram para casa.

Ainda de acordo com Bianca, o bebê teve febre durante a noite toda. Preocupada, ela ligou para a pediatra da criança, que a orientou a fazer exames de sangue na filha.

- Não havia nenhuma anormalidade nas plaquetas e nenhum indicativo de dengue, segundo o exame.

Só na sexta-feira, quando a criança apresentou um tersol nos olhos, a mãe retornou ao hospital. Lá, fizeram uma nova coleta sanguínea, que mostrou alterações no sangue do bebê. A partir daí, constataram que era dengue. Bianca lamentou o que aconteceu.

- A doença foi devastadora, acabou com a vida da minha filha em apenas quatro horas. Acho que o bebê poderia ter ficado internado desde terça-feira. Demorou muito e não sabíamos o que fazer.

Segundo o hospital, a criança foi internada na noite de sexta-feira “em estado de choque e com o sistema circulatório já em colapso”. Horas depois, o bebê morreu com sintomas típicos de dengue hemorrágica.

A criança morava no Rocha, na zona norte. Apesar de não estar entre os bairros que apresentam surto na cidade, a casa onde a família vive fica próxima a uma residência cheia de lixo e animais e a um terreno com galpões da Secretaria Municipal de Saúde.
A secretaria informou que o local é vistoriado quinzenalmente, e o último laudo garante que não há focos do mosquito Aedes aegypti.

Fonte: R7

Última atualização: 23/03/2011

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1 Comentário Publicado

  • ranielley — 11/04/2011 @ 15:57

    a dengue esta muuito perigosa nos estados



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