O quadro de dengue em Salvador em 2008 está melhor do que em 2007. Os números de casos confirmados no primeiro trimestre deste ano estão inferiores aos do ano passado.  De janeiro a março de 2008, foram notificados 237 casos de dengue na capital baiana, em 2007, no mesmo período, foram 407. Nos dois anos não foram registradas mortes por dengue no primeiro trimestre.

A bióloga Cristiane Cardoso, chefe da Vigilância Epidemiológica da Salvador, diz que o quadro é confortável, apesar do nível de infestação predial de 3,9% ser considerado alto pelo Ministério da Saúde. “O Ministério recomenda um índice de até 1%, mas isso é utópico, principalmente, em cidades grandes como Salvador. Então, comparado com outras cidades brasileiras, Salvador está um bom patamar”, diz Cristiane.

Mesmo assim, a pesquisadora Maria Glória Teixeira, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), alerta para o risco de uma epidemia no próximo verão. De acordo com ela, caso o governo e a população não tomem cuidados, a situação vivida no Rio de Janeiro pode chegar aqui. Isso é possível se o sorotipo Den 2, que é o que está atuando no Rio de Janeiro, migre para Salvador. “Aqui, atualmente, o sorotipo mais encontrado é o Den 3. Em 94, aconteceu essa migração sazonal entre Rio de Janeiro e Salvador e também enfrentamos uma epidemia”, diz a pesquisadora.

Ela explica que essa migração pode ser facilitada com o turismo de cariocas em Salvador. “Uma pessoa contagiada com o Den 2 pode visitar Salvador e ser picada pelo Aedes Aegypti”, explica.

Na década de 90, o Den 1 e 2 eram mais comuns na Bahia, mas as pessoas foram criando anticorpos para estes vírus. Em 2000, o Den 3 passou a ser o principal sorotipo encontrado aqui no Estado. “Só que quem nasceu depois de 2000 não tem mais anticorpos contra o Den 1 ou 2, por isso o risco de contágio com estes vírus”, diz Maria Glória.

Cristiane Cardoso diz que o risco de epidemia de dengue é constante em todo o País, porque no Brasil não há casos do sorotipo Den 4, comum na Venezuela. “Se esse vírus chegar aqui, provavelmente, teria uma epidemia, mas por enquanto não existe alarde com relação aos outros sorotipos aqui em Salvador”, diz.

GRAVIDADE - O cenário de contágio piora quando a pessoa que já teve dengue com um sorotipo, contrair outro diferente. Ou seja, quem já contraiu o sorotipo Den 3 e for picado pelo mosquito com Den 2, por exemplo, pode ter sintomas mais graves. “Quando já tem anticorpos de outro sorotipo, a possibilidade de dengue hemorrágica aumenta”, explica a pesquisadora Maria Glória.

Mas ela observa que este quadro pode ser evitado. “Estou esperançosa de que isso acontecerá. Os problemas antes encontrados no programa de combate à dengue em Salvador estão sendo revistos, com a contratação dos agentes de endemias pelo município”, diz.

Maria Glória lembra que os agentes são essenciais para o combate à doença. São eles que verificam se há focos, destroem esses focos quando encontram e tratam os possíveis criadouros. Mas ela também ressalta que a população tem que fazer sua parte e cuidar do ambiente doméstico, evitando a procriação dos mosquitos.

SERVIÇO:

Características do Aedes Aegypti:
- Procura águas limpas e paradas, além de áreas com sombra para procriar;
- Vive, em média, 42 dias;
- Uma fêmea coloca entre 300 e 400 ovos;
- O Aedes Aegypti leva de 7 à 12 dias para passar de ovo para mosquito adulto;
- Voa baixo, em média 2 metros, podendo chegar a andares mais altos por meio de elevador ou escada, levados por correntes de ar;
- 90% dos mosquitos são encontrados em ambiente domiciliar.

Para solicitar visita do agente de endemias – ligar para 156 ou para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) no telefone 3611-7310 ou 3611-7311;

Fonte: www.atarde.com.br