4.03.2009 - 09h05
Além do mal-estar, o medo tem levado muita gente aos postos de saúde. A costureira Neuza Maria Santos Nunes, 49 anos, sofreu em casa uma semana. “Acamada, assistia às reportagens da televisão. Nos intervalos, as propagandas sobre cuidados com a dengue. E você sentindo tudo aquilo”, afirmou após ser atendida no posto médico do bairro de São Marcos e ter o diagnóstico de virose.
Por causa da aflição de Neuza e de outras dezenas de pessoas, a procura de tratamento para “Dalila” triplicou o número de atendimentos nos nove pronto-atendimentos (que funcionam 24 horas). Cresce a apreensão, principalmente entre os pais, após o anúncio, nesta terça-feira (3), de duas mortes de crianças registradas em Itabuna por suspeita de dengue.
A dona de casa Dalva Costa, 39 anos, estava aflita com a situação do filho na sala de espera do mesmo posto de saúde. “Ele está com febre de 39,5°C, dor de cabeça, vômito e diarreia. Dei Tylenol, mas não está adiantando. Falaram que era garganta inflamada, mas não senti firmeza”, contou. Em emergências de hospitais particulares, como no São Rafael, pais aflitos chegam a pedir aos plantonistas a realização de exames para medição de plaquetas.
Motivos
O número de casos de dengue notificados no estado, até a terceira semana de fevereiro, chegou a 11.570 - aumento de 248%, em relação ao mesmo período de 2008 (3.919 casos). Foram confirmadas dez mortes por dengue no estado - seis crianças e quatro adultos - e outras 14 mortes estão sob investigação. Apesar da preocupação, na capital, foram notificados 209 casos de dengue (sem mortes) contra 2.100 no município de Itabuna e três mortes.
Desde janeiro, o Hospital Couto Maia, referência estadual em doenças infecto-contagiosas, tem registrado um aumento no atendimento dos casos da doença. A demanda, segundo a diretora da unidade, Ceuci Nunes, provocou a transformação de uma das enfermarias em um pronto-atendimento específico.
“Esse aumento vem sendo constante desde o mês de janeiro. A enfermaria foi criada no fim do ano passado. No local, os pacientes recebem hidratação e os primeiros cuidados. Vão para casa e depois têm que voltar para acompanhamento”, explicou Nunes.
No posto de saúde do bairro de São Marcos, dos 320 pacientes atendidos, diariamente, 10% são encaminhados para a realização de exames como hemograma (para medição de plaquetas). “Nossa preocupação é fazer o diagnóstico, valorizando informação sobre onde mora o paciente. Naqueles com alguma indicação para o caso de dengue, é coletado material para exame”, explicou o gerente administrativo e financeiro da unidade, Roberto dos Anjos.
Para o coordenador da emergência do São Rafael, Peter Jacobs, o medo é natural, diante do aumento do número e da similaridade dos primeiros sintomas. Durante o dia de ontem, o local esteve lotado.
Fonte: Correio da Bahia